terça-feira, 21 de abril de 2009

Bombeta e moletom

Esses tempos conheci o Bombeta. Na gíria bombeta é boné, adereço usado pelos manos, em sua grande maioria corinthianos. Ele tem uma moto grande de 500 cilindradas e um pseudo IPhone lado B, um HiPhone.
Fofo e apaixonadinho -mas sem dar muito o braço a torcer- ele se manteve por perto. Mediamente atencioso, ciumentinho e carinhoso ele me dobrou e foi ficando. Talez porque não tenha chicletado; talvez porque seja o oposto do que eu quero; talvez porque eu esteja carente; ou talvez porque na verdade não ofereça perigo algum de chegar ao meu coração, dei uma chance a ele. O fato é que já completou um mês de cervejinhas, futebol e beijos quentes.
Mas sinceramente ainda penso no mocinho de fevereiro, aquele que a energia fluiu tão bem. Foi uma pena mesmo, pelo menos ele sabia conjugar os verbos, concordar as frases e administrar os plurais. Era universitário e estagiário é bem verdade, mas ele vai chegar logo mais. Agora o Bombeta... Ah! O Bombeta é um caso a parte. "Menas" é uma palavra que está no vocabulário do seu dia-a-dia, idem para "véio" e "mano".
Churrasco -ou melhor, "assá uma carninha"- com pagode é o programa do fim de semana, sempre regado a muita cerveja. Pensando bem o outro mocinho também fazia esse tipo de programa com os amigos, apesar de dizer que não gostava de samba/pagode... whatever! Mas o Bombeta canta pra mim. Eu juro, ele canta. E o que eu faço? Me mato de rir -óbvio-, dele e das letras! (mais das letras de pagode ou sertanejo que são sempre de dor de corno).
Ele não é exatamente bruto, não é exatamente gentil; não é completamente cavalheiro, mas também não é completamente ogro; não chega a ser totalmente rabujento, até é bem humorado... mas ele fica na mediocridade no sentido literal da palavra: mediano. Is not a big deal, you know!? Até a energia... bate mas não é aquela coisa.
Difícil dizer, não é dinheiro o problema. É intelectual mesmo. O Fanta achava que "não estava a minha altura, que não era o bastante pra mim", pelo menos foi uma das desculpas que deu (e há quem diga que não está mesmo!). Enfim, o Bombeta não tem condições de perceber o quão distantes estamos, o tamanho do abismo intelectual que há entre nós. Tudo bem, quem foi que disse que precisamos nos casar?
Minha amiga Valdis disse que esse fim de semana assistiu no cinema aquele filme brasileiro "Divã" e que lá tem uma cena especialmente dedicada a mim. Nela a mulher diz: "eu quero um homem que pelo menos não diga 'menas'!" (!!!).
É bem isso! Não precisa ser um Professor Pasquale da língua portuguesa, um Don Juan de cavalheiro, sedutor e superprotetor, um Sawyer de tão bonito, um Bill Gates de rico, um Ary Toleto de engraçado (tá, ele nem é engraçado, eu sei!), ou um Ricky Martin de tão caliente. Só precisa ser um pouco mais do que mediano, superar o sofrível. Carinhoso, cuidadoso, bem humorado e, claro, tem que rolar a tal energia! Eu ainda acerto a mão e chego um dia! ;)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Paciência

Hoje vim ao Consulado dos EUA. Quero dizer, tentei vir e não passei da porta. Pretendia acompanhar minha amiga Boula, também do G8, na busca pelo visto americano. Mas que paisinho mais nojento! Dá até vontade de cancelar a viagem. Não permitem acompanhantes no Consulado, você é obrigado a perigrinar sozinho como se estivesse em Santiago de Compostela! E eu que achava o consulado Italiano chato e com funcionáriso prepotentes... (eu já até chorei lá, é sério!)
Objetos eletrônicos -incluindo o celular- devem estar desligados (e não apenas no silencioso) pois eles verificam e, pior, fazem você deixá-los num guarda volumes. Tenho certeza que essa resolução do celular no guarda volumes é nova, de depois que lançaram aquele modelo de telefone com joguinhos com sensores do tipo do Wii. Boliche, pescaria, etc... fala sério! Dá uma vergonha interna ver as pessoas jogando isso em público... Whatever!
Enfim, acabei deixando meu livro em casa, afinal eu achei que passaria um par de horas conversando com a Boula, pondo os assuntos em dia já que ela não é das mais chegadas à internet, quase não manda notícias por e-mail, além de fazer pós num dia da semana à noite, dormir na casa do namorado algumas vezes na semana e ter escolhido uma profissão que a impossibilita de falar ao telefone durante o expediente.
A longa sessão de terapia com a amiga vai mesmo ter que ficar para outro dia. Com tanto o que fazer no escritório, em plena véspera de feriado, cá estou eu pensando num post para desabafar e fazer passar o tempo.
Sentei num café. Primeiro no balcão e depois numa mesinha com mais outras duas pessoas que também acompanhavam de fora alguém que tinha ido tirar o visto. Não rola nenhuma conversa, uma delas mexe freneticamente no celular, imagino que esteja twittando (só pode ser!!); a outra olha insistentemente para a fachada do Consulado desolada... Melhor assim! Detesto conversar sobre a condição climática, trânsito ou qualquer outra banalidade com desconhecidos, odeio os "caçadores de assunto", mas isso é tema para outro post.
Já tomei um suco de laranja, comi um queijo quente e finalizei com um expresso "curto curto" (como diria o namorado da Cabeça), mas só passou uma hora. Disseram que a espera é de duas horas em média. E olha só como nossa noção de tempo é relativa: se eu estivesse na minha mesa trabalhando e resolvesse "espairecer" na net, duas horas voariam e não seriam suficientes entre gmail, notícias, orkut, blogs e twitter. É, ainda bem que em breve terei meu IPhone e poderei esperar em qualquer lugar por horas, me perdendo na internet. (Claro! Exceto se eu estiver dentro do Consulado dos EUA).
E será que a Boula fez amizades lá dentro? Porque o visto, nessa época de crise, é certeza que deu certo. Meu Deus! Acabou de me ocorrer, será que tem relógio lá dentro!? Porque eu atualmente não uso relógio e me oriento com o do celular! Se a gente fica impedido de usar o celular lá dentro, melhor anotar: "lembrar de usar relógio quando for ao Consulado dos EUA!".

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"Mulheres Possíveis"

"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante."
Martha Medeiros - Jornalista e escritora

Achei que valia a pena esse texto para nossa reflexão.